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Notícia

 
Sexta-Feira, 14 de Julho de 2017
Corpo achado em canavial em Cravinhos, SP, é de jovem morto pela mãe, diz IML
Itaberli Lozano, de 17 anos, foi esfaqueado pela mãe e teve o corpo queimado com ajuda do padrasto, diz polícia. Sete meses após o crime, família poderá realizar sepultamento.
Corpo achado em canavial em Cravinhos, SP, é de jovem morto pela mãe, diz IML
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo confirmou nesta quinta-feira (13) que o corpo encontrado carbonizado em um canavial de Cravinhos (SP) é de Itaberli Lozano, de 17 anos, morto em dezembro de 2016. Com o exame positivo do DNA, a família pode, enfim, enterrar o jovem, sete meses após o crime.

As investigações apontam que Lozano foi morto dentro de casa pela mãe, Tatiana Lozano Pereira, que contou com a ajuda de outros três jovens. Em seguida, ela e o marido, padrasto da vítima, queimaram o corpo às margens da Rodovia José Fregonsei. O Ministério Público ainda acusa Tatiana de homofobia. Todos os suspeitos estão presos.

O teste de DNA foi feito no mês passado e o material recolhido para análise foi do avô paterno de Itaberli. É o segundo exame pedido pela investigação, já que o primeiro, com material da mãe, foi inconclusivo.

A família cobrava um laudo final para poder sepultar o corpo, que permanece no IML de Ribeirão Preto (SP) desde que foi encontrado.

O delegado Helton Henz, que investiga o caso, teve acesso ao exame na manhã desta quinta-feira e o encaminhou ao poder judiciário para ser anexado ao processo. A família também será comunicada pela Polícia Civil. Ele afirma que as investigações não mudam com o resultado do exame.

“A gente sempre trabalhou com a hipótese que fosse dele [o corpo]. Na nossa parte, nunca houve dúvida. Mas, como o primeiro laudo foi inconclusivo, levantou-se essa questão. Esse segundo laudo agora só vem ao encontro do que já tinha feito e confirma que a vítima realmente é o Itaberli. A autoria do crime também permanece inalterada, não há nenhuma dúvida sobre isso”, diz.

O caso

Itaberli Lozano foi morto na madrugada do dia 29 de dezembro a facadas, dentro de casa pela própria mãe, a gerente de supermercado Tatiana Lozano Pereira, de 32 anos, que confessou o crime e foi presa.

Tatiana afirma ter sido ajudada por Victor Roberto da Silva, de 19 anos, e Miller da Silva Barissa, de 18, que foram aliciados por ela para armar uma emboscada e dar um “corretivo” em Itaberli.

Um dos jovens confessou ter espancado a vítima, enquanto o outro disse que apenas conversou com o rapaz. Segundo a Polícia Civil, no entanto, ambos espancaram e enforcaram a vítima, antes de a mãe esfaquear o próprio filho. A dupla foi presa no dia 13 de janeiro.

Duas semanas depois, uma estudante de 16 anos foi apreendida, após confessar, em depoimento, que presenciou o momento em que Tatiana matou o filho. A Promotoria acredita que a menor participou diretamente da morte de Itaberli.

Segundo as investigações, o marido de Tatiana, o tratorista Alex Canteli Pereira, de 30 anos, levou o corpo do garoto até um canavial e incendiou. Ele também foi preso.

Processo

Testemunhas de acusação do caso, incluindo familiares de Itaberli, já começaram a ser ouvidas pela Justiça no Fórum da cidade. O caso segue em sigilo e o Ministério Público acredita que as provas colhidas até o momento são suficientes para levar todos os suspeitos a júri popular. Uma nova audiência está marcada para o dia 2 de agosto. Testemunhas de defesa e réus ainda não prestaram depoimento.

O MP também acredita que a mãe do jovem, além de responder por homicídio qualificado assim como os outros suspeitos e ocultação de cadáver junto com o marido, deve ser julgada, também, por homofobia. Nas redes sociais, dois dias antes de morrer, o jovem disse ter sido agredido por ela pelo fato de ser gay.

“Na legislação atual não existe lei específica de homofobia. O que existe são as motivações que qualificam o crime, ou seja, o tornam mais grave. Um deles é a torpeza e, nesse caso, a homofobia é um motivo torpe, repugnante”, diz o promotor Wanderley Trindade Junior.

Já a Polícia Civil sustenta a hipótese de conflito familiar, alegando histórico de agressões entre ambos.

Fonte: G1






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