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Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2015
Estudo sugere que excesso de sal refinado influencia na obesidade mais do que calorias
Análise aponta que consumo de sal branco seria mais decisivo no risco de obesidade do que a ingesta calórica
Estudo sugere que excesso de sal refinado influencia na obesidade mais do que calorias
Um consumo elevado de sal refinado pode estar diretamente relacionado ao aumento do risco de desenvolvimento de obesidade, independentemente da ingesta de calorias. É o que sugere um estudo realizado com 458 crianças e 785 adultos publicado no começo do mês no periódico norte-americano Hypertension, da Associação Americana do Coração.

Segundo o médico endocrinologista especialista em nutrologia Mohamad Barakat, “o sal refinado é um velho vilão para a saúde, associado ao aumento da pressão sanguínea e doenças cardiovasculares e até renais”. Ele esclarece que, quando ingerido, o sal branco vai direto para o sangue, onde se espalha pelo corpo e absorve a umidade do organismo.

“Na tentativa de manter o equilíbrio e normalizar a falta de água, nosso sistema circulatório aumenta sua pressão arterial para tentar fazer o sangue circular mais rápido. Os vasos não estão acostumados com essa quantidade e acabam se contraindo, o que aumenta o trabalho do coração e leva ao desgaste do músculo”, explica.

Relação direta
Estudos anteriores já tinham relacionado a ingestão de sal branco à obesidade, mas sempre de forma indireta. Alguns exemplos seriam o ciclo de consumo ocasionado pela sede proveniente de sua ingestão, que torna mais comum o consumo de bebidas industrializadas ricas em açúcar, ou mesmo o consumo concomitante de alimentos mais calóricos, como comidas prontas, ricas em sal e calorias.

Dessa vez, porém, a pesquisa levou em consideração exames de urina realizados em adultos e crianças para detectar o mineral, cruzando os resultados com informações como sexo, idade, etnia, renda, educação, hábitos como fumo e álcool, atividade física e consumo de calorias. Após ajustar todos esses fatores, os cientistas perceberam que uma ingesta de sal refinado maior está diretamente relacionada à quantidade de gordura corporal. A ingestão de um grama a mais de sal branco por dia está associada a um risco maior de obesidade de 28% em crianças e 26% em adultos.

O achado utilizou dados da Pesquisa Nacional de Dieta e Nutrição do Reino Unido e pode ser mais um motivo de pressão para que a indústria alimentícia reduza a concentração do mineral em seus produtos.

Inimigo refinado
Como explica Barakat, o perigo do sal branco está em sua composição. A versão industrial que é consumida na forma refinada é enriquecida com aditivos químicos para evitar sua liquefação e formação de pedras. Esses elementos acabam com as propriedades nutricionais do sal, fazendo com que ele apresente apenas o cloreto de sódio, além de serem nocivos para a saúde. Versões naturais como sal rosa, marinho ou mesmo o grosso ainda são extremamente saudáveis e ricas.

“O processo industrial faz esse produto ficar carregado com uma grande quantidade de cloreto de sódio, substância sem valor nutricional nenhum que só tem a função de salgar a comida e não ajuda de maneira nenhuma. Na verdade, esse excesso aumenta o sódio em nosso organismo e, junto com a pressão, ainda aumenta a sede e a vontade de ingerir doces, dificultando a vida de quem quer manter uma alimentação saudável”, revela.

Encontrando um substituto
Segundo o endocrinologista, o uso indiscriminado do sal refinado ainda é responsável pela criação de um hábito alimentar prejudicial. “As crianças são alimentadas com salgadinhos e outras comidas salgadas e acabam se tornando adultos que não conseguem fazer uma refeição sem desgrudar do saleiro”, diz.

Isso potencializa ainda mais os riscos para a saúde e até mesmo os gastos do sistema de saúde com doenças crônicas e cardiovasculares, cada vez mais comuns em uma população adoecida.

“O problema não é o sal em si, mas seu refinamento. Existem opções saudáveis como o sal rosa, sal marinho ou até mesmo o sal grosso. Nenhum deles passa pelo processo industrial e mantém todas as suas propriedades nutritivas, como diversos outros minerais, sem deixar de ser delicioso. É uma troca simples e extremamente benéfica, fundamental para quem quer manter a saúde em dia”, finaliza Barakat.

Fonte: Jornal Voz






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